Estilo não é sobre tendência, é sobre coerência
- Espaço dos empreendedores Brasília
- 21 de fev.
- 4 min de leitura
COLUNA, MODA & ESTILO
Estilo não é sobre tendência, é sobre coerência
20/02/2026 - Rayssa Leite

Outro dia, enquanto organizava meu guarda-roupa, me peguei fazendo uma pergunta silenciosa, quase automática: por que, mesmo com tantas roupas, às vezes sentimos que nenhuma delas realmente nos representa? E talvez você já tenha sentido isso também.
Aquela sensação de olhar para o armário cheio e, ainda assim, pensar: “não tenho nada para vestir”. Mas será mesmo falta de roupa… ou falta de coerência?
Seja muito bem-vindo, meu querido leitor, a mais uma reflexão da nossa coluna. E hoje quero te convidar a pensar comigo sobre algo que, à primeira vista, parece simples, mas carrega uma profundidade enorme: estilo não é sobre tendência, é sobre coerência.
Vivemos em uma era em que as tendências nascem e morrem na velocidade de um scroll. Uma semana é a cor do momento, na outra é a estética da vez, depois vem a peça “indispensável” que, curiosamente, se torna dispensável poucos meses depois. E, no meio dessa avalanche visual, começamos a acreditar que ter estilo é acompanhar tudo isso.
Mas será que é mesmo? Ou será que estamos apenas correndo para não nos sentirmos ultrapassados? As tendências são coletivas. O estilo é individual. E essa diferença, embora pareça sutil, muda absolutamente tudo.
Tenho percebido, ao longo dos atendimentos e até nas conversas do dia a dia, que muitas pessoas não compram porque gostam. Compram porque viram, porque viralizou, porque “todo mundo está usando”. E aqui entra um ponto delicado: quando a referência externa começa a falar mais alto do que a identidade interna, o estilo se perde e a confusão visual aparece.
E é curioso como isso se reflete na prática. Você compra uma peça tendência, usa uma vez, duas… e depois ela simplesmente deixa de fazer sentido. Não porque a peça seja ruim, mas porque ela nunca conversou, de fato, com quem você é. Soa familiar?
Existe um equívoco muito comum quando falamos de moda: acreditar que estilo está ligado à novidade constante. Como se, para ter presença, fosse necessário estar sempre atualizada, sempre diferente, sempre acompanhando a próxima tendência do momento. Mas a verdade, e aqui vai uma reflexão carinhosa, é que excesso de tendência pode, muitas vezes, gerar falta de identidade.
Porque estilo não se constrói com excesso, se constrói com clareza. Clareza sobre quem você é, sobre a imagem que deseja transmitir, sobre os ambientes que frequenta e, principalmente, sobre a mensagem silenciosa que suas escolhas comunicam antes mesmo de qualquer palavra.
Sim, porque a forma como nos vestimos é comunicação, é presença, é narrativa visual. Antes mesmo de você falar, sua imagem já disse muito. Disse sobre cuidado, sobre intencionalidade, sobre segurança ou até sobre desalinhamento. E não estou falando de aparência perfeita, mas de coerência visual.
Quando existe coerência entre a sua essência e a sua imagem, algo muda. A postura muda. A confiança muda. A presença se fortalece. E isso não tem absolutamente nada a ver com seguir todas as tendências, pelo contrário, tem a ver com saber filtrar. Nem tudo que está em alta precisa fazer parte da sua história. Nem toda tendência precisa entrar no seu guarda-roupa. E está tudo bem. Porque autenticidade não é sobre aderir a tudo, é sobre escolher com consciência.
E aqui entra a imagem estratégica, que eu gosto de definir de forma muito simples: é quando suas escolhas estéticas deixam de ser impulsivas e passam a ser intencionais. Você não compra apenas porque é bonito, você escolhe porque faz sentido. Faz sentido com sua rotina, sua personalidade, com a forma como você quer ser percebida. Percebe como isso muda a relação com o vestir? A roupa deixa de ser apenas consumo e passa a ser expressão.
Outro ponto importante, e talvez um dos mais negligenciados, é entender que autenticidade visual não significa rigidez. Não significa usar sempre as mesmas coisas ou se limitar a um único estilo. Significa, na verdade, manter uma linha de coerência mesmo quando você experimenta, evolui e se transforma. Porque sim, nós mudamos. E o estilo também acompanha essas fases.
O que fazia sentido há cinco anos pode não representar mais a mulher que você é hoje. E isso não é incoerência, é amadurecimento. O problema não está em mudar, mas em se perder completamente a cada nova tendência que surge. Por isso, talvez a pergunta mais estratégica não seja: “isso está na moda?” Mas sim: isso comunica quem eu sou hoje? Pode parecer uma pergunta simples, mas ela tem o poder de transformar escolhas impulsivas em escolhas conscientes.
No fim das contas, as tendências passam, sempre passaram e sempre passarão, mas a coerência permanece. E é ela que sustenta uma imagem forte, elegante e autêntica ao longo do tempo. Não porque você está tentando chamar atenção, mas porque existe alinhamento entre quem você é por dentro e o que você comunica por fora.
E existe algo que aprendi ao longo da minha trajetória como consultora de imagem e estilo: pessoas com presença não são, necessariamente, as mais tendências. São as mais coerentes. Coerentes na essência, na postura e na forma como se apresentam ao mundo.
Então, deixo aqui um convite, quase como uma pausa consciente em meio a tantas referências: antes de seguir mais uma tendência, antes de comprar aquela peça “do momento”, pergunte-se com honestidade: isso realmente me representa ou estou apenas tentando acompanhar o que está sendo validado externamente?
Porque a moda é cíclica, as tendências são passageiras, mas a coerência, essa sim, constrói um estilo que permanece, comunica e, acima de tudo, respeita quem você realmente é.
Por Rayssa Leite, advogada e consultora de imagem e estilo, pós-graduanda em Fashion Law e Indústria do Entretenimento, membro da Comissão de Direito da Moda da OAB/DF e autora do livro “Direito da Moda – Jurisprudências no Direito Brasileiro”, disponível em loja.editoracrv.com.br.
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Muita mulheres perdem a identidade na infância por falta de opção porque ganham, ou na fase em que se é mãe e engordam, ou simplesmente por não terem condições e ganharem. Quando você tem a opção de poder comprar e escolher, eu costumo dizer que a auto-estima perdida retoma!
Me vi refletindo essa semana exatamente sobre isso também.. como estou gestante de 9 meses tenho separado as roupas não me servem mais em um local separado e pensei “ muitas delas quando voltarem a caber eu não me interesso mais” porque não me representam, muitas eu já não usava ha algum tempo, tentei lembrar porque comprei, se ganhei é porque agi com impulso.. infelizmente não vou conseguir renovar o guarda roupas por questões financeiras, mas pretendo deixar o meu guarda roupas mais minha cara ao longo do tempo, comprando com mais consciência