O excesso de liberdade que paralisa: por que você compra sem usar.
- Espaço dos empreendedores Brasília
- 12 de set. de 2025
- 3 min de leitura
COLUNA, MODA & ESTILO
O excesso de liberdade que paralisa: por que você compra sem usar.
12/09/2025 - Rayssa Leite

Você realmente compra uma peça de roupa para ser usada repetidas vezes ou está vivendo no automático, comprando por impulso e pela influência de terceiros que te empurram algo só porque está na moda?
Muitas vezes, nos meus atendimentos, sou recebida com um guarda-roupa cheio. Aliás, lotado de coisas. E pasme, caro leitor: é mais comum do que você imagina. Sempre acompanho queixas como:
“Essas roupas não combinam comigo”;
“Não sei compor looks”;
“Não tenho nada adequado para trabalhar”;
“Comprei essa peça, mas nunca usei”;
“Não sei porque comprei tanta roupa” e a lista segue infinita.
Por trás dessas frases, percebo duas coisas muito claras: a ausência de autoconhecimento e o excesso de liberdade. Sim, meus caros, isso mesmo: excesso de liberdade!
O autoconhecimento é parte intrínseca de nós, seres humanos. Por isso, saber o que de fato gostamos ou não, quando o assunto é vestimenta, é essencial. Aliás, não só na vestimenta, mas em todas as áreas da vida. Quando nos conhecemos a ponto de identificar se aquele estilo nos representa ou se aquela peça, bolsa, sapato ou acessório realmente nos agrada, nos tornamos parte de uma pequena parcela da população que consome com consciência e não por impulso.
Pode parecer estranho falar sobre o excesso de liberdade, afinal, buscamos liberdade, desejamos ser independentes e autênticos. Tudo bem! Mas vou te explicar: hoje temos acesso a milhares de informações, tendências, lojas e estilos diferentes. A internet veio para nos ajudar, mas também para nos “programar” para o que ela deseja. É tanta possibilidade que parece que podemos ter tudo, vestir tudo, ser tudo. E é exatamente aqui que mora o perigo!
O excesso dessa liberdade nos paralisa. Quer ver um exemplo? Você entra em uma loja para escolher uma calça jeans, mas são tantas opções de modelos e cores que, ao invés de escolher uma que de fato se adeque aos seus objetivos, é capaz que leve duas que podem ficar paradas no armário, simplesmente porque não te representam. Faz sentido?
Quando não sabemos exatamente quem somos, o que gostamos e o que nos representa, acabamos perdidos em meio a tantas opções. Compramos por impulso, pela influência da amiga, da blogueira, da vitrine, e não porque aquela peça traduz a nossa essência. O resultado? Um guarda-roupa cheio de roupas que não conversam com você e uma sensação constante de frustração.
Imagine que você vai ao shopping com uma amiga. O seu estilo é elegante e o dela criativo. Vocês entram na loja preferida e você encontra um vestido off white, de corte reto e fluído. Você acha lindo e leva para ela experimentar, acreditando que vai combinar com ela.
Ela, por não ter clareza sobre o próprio estilo, acaba levando o vestido para casa. Mas, no fim das contas, nunca usa. Resultado: gastou dinheiro, perdeu tempo e ganhou mais uma peça parada no armário.
Isso acontece todos os dias. E sabe por quê? Porque quando não existe autoconhecimento aliado à escolha, o excesso de liberdade vira inimigo.
No fundo, o problema não é a falta de roupa, mas sim a falta de direção. O excesso de opções gera paralisia e escolhas ruins, já o autoconhecimento nos dá foco e clareza. Quando você entende quem é, o que gosta, o que te valoriza e o que te traduz a sua identidade, passa a consumir de forma consciente e a reforçar o que a sua imagem pessoal representa. Desta forma, comprar deixa de ser impulso e passa a ser escolha.
E, acredite, isso não se aplica apenas às roupas. Vale para tudo na vida. Mas quando o assunto é estilo, a mudança fica visível na sua imagem pessoal.
Então, para finalizar essa leitura, da próxima vez que você entrar em uma loja, faça uma pausa e se pergunte:
Isso combina comigo ou só está na moda?
Essa peça vai conversar com o que eu já tenho no guarda-roupas?
Eu me vejo usando isso repetidas vezes, em diferentes situações?
A resposta para essas perguntas pode ser a chave para transformar o seu consumo em algo mais consciente, que valorize quem você é de verdade. Não deixe que o excesso de liberdade te paralise. Faça ao contrário, consuma com assertividade!
Por Rayssa Leite, advogada e consultora de imagem e estilo, pós-graduanda em Fashion Law e Indústria do Entretenimento, membro da Comissão de Direito da Moda da OAB/DF e autora do livro “Direito da Moda – Jurisprudências no Direito Brasileiro”, disponível em loja.editoracrv.com.br.
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