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21 dias de Ativismo: quando a sociedade inteira é chamada a dizer basta! (Por Rosi Francelino, advogada)


Você sabia que todos os anos, entre 20 de novembro e 10 de dezembro, o Brasil se une ao movimento global pelo fim da violência contra mulheres e meninas. A campanha, reconhecida internacionalmente como 16 Dias de Ativismo, ganhou força e identidade própria no país ao se transformar em 21 dias de mobilização, começando no Dia da Consciência Negra: uma escolha simbólica e necessária, que evidencia que raça e gênero se entrelaçam e agravam vulnerabilidades e finalizando dia 10 de dezembro, dia Internacional dos Direitos Humanos.

A data internacional de referência foi adotada pela ONU em 1999 para lembrar as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa Mirabal, brutalmente assassinadas em 1960 pela ditadura Trujillo, na República Dominicana. Elas se tornaram o símbolo de uma luta que não admite retrocesso: mulheres têm direito à vida, à liberdade e à dignidade.

Mas não basta lembrar somente, é preciso agir. E os números mostram o porquê. Vejamos: segundo relatório global da ONU, 85 mil mulheres e meninas foram assassinadas no mundo em 2023. Dessas, 51 mil, 60% morreram pelas mãos de parceiros íntimos ou familiares. Isso significa que a cada 10 minutos, uma mulher é vítima de feminicídio no próprio lar.

Na América Latina e Caribe, a situação também é alarmante: em 2023, foram registrados 3.897 feminicídios, o que representa 11 mortes por dia motivadas por gênero. E, no Brasil, cresce a atenção para formas cada vez mais sofisticadas de violência, como a violência digital, que atinge especialmente mulheres negras, jovens e meninas.

Diante desse cenário, os 21 Dias de Ativismo não é apenas uma campanha. Representa um chamado para que cada pessoa, cada instituição, cada liderança assuma sua parte na construção de um país onde mulheres não tenham que negociar sua segurança diariamente.

A violência pode acontecer com qualquer mulher, atinge também mulheres independentes, líderes e economicamente ativas,  quebrando o mito de que empreendedoras estariam “protegidas” pela autonomia financeira. Por exemplo: Ana Paula Prudente, uma empresária, vítima de tentativa de feminicídio no Distrito Federal em 2023, uma empresária do ramo automotivo a qual sofreu a violência pelo ex-companheiro, que invadiu seu espaço de trabalho armado. Ela sobreviveu e se tornou porta-voz de campanhas pela autonomia financeira aliada à proteção e à denúncia. O seu caso reforçou como ambiente de trabalho também pode se tornar cenário de violência.

Outro caso, infelizmente, alarmante foi o da Mariana Ferrer, influenciadora e empreendedora digital, vítima de violência com repercussão nacional. Ela foi alvo de violência psicológica, moral e institucional, em um dos casos mais debatidos do país, mostrando que nem sempre a violência doméstica ocorre somente agressão física. Como empreendedora digital, ela se tornou símbolo de como mulheres jovens, públicas e atuantes no mercado digital enfrentam novas formas de violência, especialmente a digital e institucional. Ademais, impulsionou debates sobre violência moral, assédio virtual e responsabilização.

A campanha vai além, é sobre romper ciclos, fortalecer redes de apoio, garantir acesso à justiça e transformar culturas que ainda naturalizam o controle, a ameaça e a dor. A violência contra a mulher não começa no golpe; começa na palavra. Não começa no feminicídio; começa no silenciamento. Por isso, informação, acolhimento e política pública caminham juntas nesta mobilização.

Este período de 21 dias nos lembre de algo essencial: a proteção das mulheres é um compromisso permanente e é assim que construímos uma sociedade mais justa, segura e humana para todas. Não deixemos finalizar a campanha no dia 10 de dezembro, falemos sobre esse assunto o ano inteiro. Se fez sentido para você, comente aqui embaixo. E, se puder, compartilhe, pois informação salva vidas.

 


 
 
 

1 comentário

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Jucelia
09 de dez. de 2025
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Não podemos nos calar! A maioria das violências acontecem dentro dos lares, muitas mulheres se quer preferem acreditar nas crianças, é preciso ensinar pafa não perdermos as próximas gerações!

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